terça-feira, 30 de agosto de 2011

Compreendendo melhor o Wu De ( Wu Te) Parte I

Wu Te (Wu De): A Virtude e a Ética Marcial

Este é um resumo do código de conduta estabelecido para os artistas marciais praticantes das artes desenvolvidas na China.

A moralidade marcial cobre duas áreas principais: as ações e a mente do praticante.

Wu De é o código que abrange a conduta social adequada aos praticantes de Artes Marciais. Na China. Este código rege a conduta da sociedade como um todo.

            Existem cinco pontos que são abordados no Wu De: Respeito, Humildade, Confiança, Virtude e Honra.
           
“Antes de aprender a técnica, aprende-se a etiqueta; antes de praticar as artes marciais, pratica-se a moral”.  Mesmo não sendo um Mestre Zen, posso tranquilamente traduzir o texto acima da seguinte forma (que me foi passada quando do início de minha prática marcial mais de uma década atrás):
 “Primeiro aprenda a ficar de pé, depois a caminhar com equilíbrio, para, só então, poder correr rumo ao seu destino”. Faça destas palavras sua meta pessoal em tudo e terá com certeza, um caminho com amplitude de visão muito superior a que possuía antes. Verá a vida de forma mais simplificada, seja você um artista marcial ou apenas alguém procurando viver de forma mais tranqüila.
Na Cultura Chinesa... 
O código de ética e moral é uma área muito ampla, podemos falar do código de ética e moral dentro da tradição das artes marciais. Claro que isto deveria fazer parte de todas as ocupações. Por exemplo: na educação, os professores têm o dever de promover os valores sociais apropriados, conhecimento e o desenvolvimento físico de seus alunos. Nas artes marciais existe uma qualidade inata requerida que é o  caráter, um padrão de comportamento comum.
 
No passado, os alunos tinham que respeitar o seu professor e o professor, por sua vez, tinha a responsabilidade de cuidar dos seus alunos. Se ampliarmos a nossa visão isto quer dizer que a geração mais nova deve respeitar os mais velhos e os mais velhos tem a responsabilidade de cuidar dos mais novos. Nos tempos feudais você tinha que ser leal àquele acima de você. Isto era um elemento fundamental na sociedade tradicional e, claro, há muitos aspectos a serem observados nisto. Beneficiar-se a si mesmo fazendo mal aos outros não é aceitável. Pense neste exemplo: se você tinha alunos que adotava como discípulos, eles não poderiam se envolver em nenhuma atividade criminal. Na tradição marcial se esperava que alguém fosse justo para beneficiar aos outros. Só porque alguém era talentoso na arte marcial isto não queria dizer que pudesse fazer o que bem entendesse, ou seja, esta pessoa deveria ser leal e verdadeira.
           
            Na sociedade feudal, eles costumavam falar sobre os valores na família:
  • Lealdade aos pais;      
  • Cuidar das crianças;
  • Respeito por seus cônjuges.
Na tradição marcial, quando cumprimentamos, temos que cobrir o punho com uma palma aberta como gesto de humildade e respeito. Esta é a idéia principal: não agir agressivamente e tirar vantagem das habilidades de alguém para fazer coisas más. Uma pessoa deve ter caráter, ser justa e correta. Como costumavam dizer "esta é a diferença entre um cavalheiro e um homem comum."

Respeito e tolerância são cruciais: não devemos tirar vantagem de um grupo por este ser pequeno e mais fraco. Estas são idéias gerais. Hoje em dia, nossa prática não é apenas marcial, se desenvolveu como uma disciplina com propósitos múltiplos, mas as virtudes tradicionais ainda se aplicam: seja humilde, honre os mais velhos, cuide dos mais novos, não tire vantagem dos mais fracos. Mesmo que as suas habilidades sejam muito avançadas, não se torne orgulhoso.

Mesmo que você seja o melhor, com certeza haverá alguém melhor do que você e, ainda, alguém melhor do que isto. Você tem que ser humilde. Sabemos, porém, que estes pontos se desenvolveram a partir de uma tradição de luta, onde, no contexto social maior, muitas vezes é difícil de evitar conflitos.

Tendo em vista a realidade atual do mundo a nossa volta, podemos citar abaixo algumas características do Wu De, para que o praticante, curioso, estudioso ou apenas aqueles que são meros leitores desta singela página da web, possam adquirir conhecimento seja para uso pessoal, intelectual ou apenas para guardar e consultar.

Este é um resumo do código de conduta estabelecido para os artistas marciais praticantes das artes desenvolvidas na China. 
A moralidade marcial cobre duas áreas principais: as ações e a mente do praticante.
Respeito
  • Ter uma qualidade inata de caráter;
  • Padrão genérico de comportamento;
  • Respeitar o professor, assim como o professor tem a responsabilidade de respeitar e cuidar dos alunos;
  • O relacionamento de respeito com o mestre deve ser como de pai e filho;
  • Honrar os mais velhos;
  • Não se deve criticar os outros estilos;
  • Respeitar o oponente, ser franco e honesto.
Humildade
  • Se a pessoa é mais forte e mais hábil que os outros, ela não pode tirar proveito das pessoas mais fracas;
  • Ser modesto;
  • Não deve ser competitivo;
  • Não se pode ser orgulhoso, mesmo quando possuir habilidades muito avançadas.
Retidão 
  • Beneficiar-se prejudicando os outros não é aceitável;
  • Deve-se ter caráter, ser justo e correto, (alunos não têm permissão de cometer atividades criminosas); 
  • Se você não for correto consigo mesmo, os outros também não serão.
Lealdade 
  • Ser leal à pessoa acima de você. (Este é um elemento fundamental);
  • Ser leal a associação que faz parte, mestres, professores e colegas;
  • Ser leal as técnicas, estatutos, juramentos e disciplinas;
  • Ser leal aos seus familiares;
  • Ser verdadeiro.
Cultivo moral    
  • Não usar a arte marcial para fazer figura ou fazer comparações de bravura;
  • Usar a arte marcial para suprimir a violência.
Determinação
  • Estabelecer suas próprias habilidades através do estudo e da prática;
  • Buscar sempre um Auto-aperfeiçoamento;
  • Cultivar as virtudes;
  • Esforçar-se sempre para atingir a perfeição – “só a pratica leva a perfeição”;
  • Não desistir sem antes tentar.
Resistência 
  • Ter como objetivo fortalecer o corpo;
  • Procurar ao máximo praticar;
  • Não deixar que pequenos obstáculos como pequenas dores e medos atrapalhem seu desenvolvimento.
Perseverança e aperfeiçoamento
  • Atenção aos detalhes;
  • Cultivar a calma e o equilíbrio; 
  • Dar igual atenção à prática e à teoria;
Paciência 
  • Não agir agressivamente;
  • Respeito e tolerância são cruciais;
  • Buscar a quietude;
  • Ficar calmo e centrado.
Coragem  e Confiança  
  • Ser valente para manter a justiça;
  • Defender a própria vida e ajudar outras pessoas a defender a justiça.
Benevolência 
  • Atos virtuosos que beneficiem os outros;
  • Cuidar dos mais jovens e não tirar proveito dos fracos;
  • Desenvolver uma moralidade benevolente.
Valores de família 
  • Lealdade aos pais;
  • Zelo pelas crianças;
  • Respeito e lealdade pelos cônjuges.
Promover a saúde  
  • Cuidar da saúde física, mental e espiritual;
  • Buscar o Auto-controle;
  • Cuidar da alimentação (nós somos o que ingerimos);
  • Buscar ter sempre um corpo forte e saudável.
União 
  • Devemos nos esforçar pela unidade;
  • Equanimidade;
  • Cooperação;
  • O grupo de prática deve ser como uma grande família. Todos se interessarem um pelo outro e se ajudarem.

Consciência política: 
  • Ter consciência política;
  • Cuidar do País;
  • Ter conhecimento das leis do País, respeitá-las e defendê-las.
 Postura 
  • Ser modelo de vida;
  • Manter em você mesmo as virtudes tradicionais do respeito e da humildade; 
  • Não consumir bebidas alcoólicas excessivamente;
  • Não ser briguento;
  • Não se pode correr atrás da fama;
  • Nem ser arrogante e impulsivo;
  • Não se pode mentir;
  • Nem praticar fraude;
  • Devem-se respeitar os professores e colegas;
  • Não se podem usar as artes marciais para infernizar a vida de outras pessoas.
Espiritualidade
  • Desenvolver a espiritualidade;
  • Buscar o aprimoramento da fé.
Desenvolvimento mental
  • Procurar o aprimoramento mental.
  • Concentração;
  • Buscar aumentar e controlar o Chi (a energia interna que todos possuímos).
  • O professor tem o dever de promover valores sociais apropriados, o conhecimento e o desenvolvimento físico de seus alunos.
  • Aqueles que violarem estes preceitos devem ser rejeitados.
*          A postagem acima é fruto de minhas conclusões pessoais que obtive após diversas pesquisas e leituras sobre o assunto, das próprias leis em que concerne o Wu- De e de buscas em outras páginas da web e também das conversas com meu Professor e meu Shifu. Insta salientar que as conclusões que obtive são minhas, porém, condizem com as de outros praticantes, mestres e também estudiosos da tradição e arte Marcial Chinesa.




 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Uma abordagem simplificada ao Sistema Wing Chun de Kung Fu


O Sistema Wing Chun é uma Arte marcial Chinesa que teve sua origem há aproximadamente 300 anos e é oriundo do templo Shao Lin do Sul.
Suas principais características são a simplicidade de movimentos, com utilização da força estrutural do corpo do praticante e a força do oponente contra o agressor, proporcionando, desta forma, eficácia e objetividade no combate real. Ataque e defesa simultâneos e golpes priorizando a linha reta entre o praticante e o oponente são pontos marcantes na atuação do lutador de Wing Chun.
Dotado de golpes explosivos com direcionamento a pontos vulneráveis do corpo do adversário, ganhou fama e popularidade por seus resultados efetivos em defesa pessoal real, pois não há proibição de alvos a serem atingidos e não obedece a regras como a maioria dos sistemas de combate. Nada melhor que a experimentação para expressar de forma mais efetiva sobre o sistema como um todo, em especial a pratica marcial, porém, no site do meu Shifu, há vídeos que podem levar o internauta a ter uma maior compreensão pela imagem, o que em textos acaba se tornando muito superficial.
No texto abaixo, meu Shifu aborda de forma resumida a historia que tradicionalmente é passada nas escolas de Wing Chun, porém, não é a forma que foi transmitida a minha pessoa por ele e a ele pelo seu Mestre, maneira a qual se reserva o direito de dividir apenas com a sua família Kung Fu da qual faço parte com muito orgulho.    

Árvore Genealógica do Wing Chun Kung Fu

Após a destruição do templo Shao Lin, Ng Mui transmitiu seus conhecimentos a uma jovem de nome "Yim Wing Chun", que certa vez, teve de se defrontar em um duelo, no qual, consagrou-se vitoriosa. Mais tarde, ao se casar, transmitiu ao marido Leung Bok To, suas técnicas de defesa. Este, passando a desenvolver o sistema, o denominou como “Wing Chun Kuen (Punhos de Wing Chun)”. 
Leung Bok To transmitiu seus conhecimentos a Leung Lan Kwai que por sua vez, transmitiu a Wong Wah Bo, que trabalhava na ópera chinesa, Nessa época as companhias de ópera e teatro costumavam viajar de uma cidade para a outra por meio de embarcações. Wong trabalhava no Junco Vermelho com Leung Yee Tai, que era bastoneiro na embarcação, empurrando o barco com um longo bastão onde o rio era mais estreito e raso.
Vindo a saber que seu amigo tinha habilidades especiais com o bastão, pois havia sido aluno do monge Jee Shin (sim, mitologicamente seria o mesmo Gee Sin que ensinou o Kune Hung a Hung Hey Kune), prestou-se a trocar seus conhecimentos de Wing Chun com ele, o que contribuiu para a entrada das técnicas de bastão longo no sistema, pois, até então, o mesmo só possuía como arma as espadas gêmeas (facas borboletas).
Leung Yee Tai transmitiu a arte de Wing Chun para Leung Jan, um famoso médico da província Foshan que gostava muito de assistir a ópera chinesa, motivo ao qual, passaram a se conhecer. 
Dado as atividades profissionais que exercia Leung Jan não dispunha de muito tempo para o ensino, transmitindo seus conhecimentos para poucos, entre os quais, seu filho Leung Bek, e Chan Wah Shun, um rapaz que trabalhava no cambio de troca de dinheiro, sendo este conhecido como "Wah o trocador". 
Chan Wah Shun, quando idoso, com mais de 70 anos, foi convidado para lecionar Wing Chun na propriedade da família Ip, uma das mais nobres da cidade de Foshan, onde ao jovem Ip Man transmitiu seus conhecimentos.
Depois de seu falecimento, o já adulto, Ip Man praticou com Leung Bek (filho mais novo do mestre Leung Jan), com quem aprimorou seus conhecimentos.
Ip Man começou a ensinar já em idade avançada. Teve muitos alunos, porém, poucos tiveram aulas particulares com ele, dentre os quais, Leung Siu Hung (Duncan), um jovem vindo da cidade de Macau para estudar no famoso colégio Inglês "Santo Estefano" e que por intermédio do amigo Lee Jun Fan (Bruce Lee) começou a treinar com Ip Man. Em 1959, Duncan viajou para Austrália para cursar faculdade de economia, e em 1970 chegou aos EUA com sua família, onde reside até hoje.
Ip Man teve diversos alunos, entre eles um dos mais famosos é o Grão-Mestre Duncan Leung, patriarca de uma das famílias mais numerosas de Wing Chun. Shifu Li Hon Ki conheceu Duncan nos EUA, por intermédio de seu irmão Robert, tornou-se seu aluno particular e representante para toda América do Sul.
Chegando ao Brasil, o Grandioso Mestre Li Hon Ki, transmitiu seus conhecimentos a uma classe seleta de alunos, dentre eles: Marcelo Florentino, Cláudio Rangel, Alberto França, Marcos de Abreu e Hudson Willian que, visando a divulgação do Applied Wing Chun no Brasil, juntamente ao Mestre Li Hon Ki, fundaram a associação AWCB com o propósito de unificar e padronizar o ensino Applied Wing Chun do Grão Mestre Duncan Leung em todo o território nacional. Hoje o Shifu Hudson Willian continua o ciclo ensinando o sistema assim como os outros mestres que aprenderam sob a tutela do Sikung Li Hon Ki com o padrão Applied Wing Chun Brazil.



...............discípulo.
* Textualização a partir do original publicado no site do Shifu Hudson Willian
* Acesse: www.hudsonwillian.com.br


terça-feira, 5 de julho de 2011

É da dedicação que surge o reconhecimento...

    Tão surpreso estive hoje, 05 de julho de 2011 ao acessar o site do Mestre Hudson (9º Geração de mestres do wing chun - applied wing chun) e ver o que foi escrito no link que posto para você, atento leitor, deste singelo blog.
    O link abaixo é do site de um mestre do Wing chun (ou wing tsun, para outros). Ao lado de outros profissionais, eu que sou apenas um instrutor, recebi um elogio o qual levarei para sempre dentro do meu coração e dedicarei a meu professor Carlos Antônio da Silva, que sempre se fez presente (mesmo quando eu estive longe dele) na minha formação filosófica e técnica marcial e também aos que foram e são meus alunos, por terem me proporcionado aprendizado nesta jornada que seguirei por toda a vida.
Acessem:
http://www.hudsonwillian.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=76&Itemid=84

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Sistema

O Hung Ga é baseado em posições baixas e fortes, deslocamentos estáveis e penetrações diretas; com ênfase na força dos membros superiores da resistência ao esforço, e em fortes técnicas de mão, sendo notáveis a mão de ponte e a versátil garra de tigre. Incide sobre o desenvolvimento de braços e pernas fortes, alicerçado na posição no cavalo (Sei Ping Ma), e no condicionamento dos antebraços (Da Sam Sing – “Explosão das Três Estrelas”). Sua habilidade é adquirida através do desenvolvimento de 3 partes: uma ginástica corporal completa, o combate livre e as formas (taolu), que são um conjunto de técnicas coreografadas, servindo de “livro” para os praticantes.
Quatro são consideradas os pilares do Hung Ga, são elas:
  • Gung Gee Fuk Fu Kuen (工字伏虎拳, “Domando o Punho do Tigre na Forma da Letra Kung – Trabalho”);
  • Fu Hok Seung Ying Kuen (虎鶴雙形拳 – “Punho Combinado da Forma do Tigre e da Garça”);
  • Tid Sin Kuen (鐵線拳, “Punho da Linha de Ferro”)
  • Sap Ying Kuen (十形拳,”Punho dos Dez Padrões”), também chamada de Ng Ying Ng Hong Kuen (五形五行拳, “Punho dos 5 Animais e dos 5 Elementos”).

História do Hung Gar

Hung Hei Kung originalmente tinha o sobrenome Jyu (Jyu Hei Kung) e era um mercador de chá. Após um desentendimento com membros duma classe nobre de Manchus, durante a dinastia Qing (quandos os Manchus governavam a China), Ele se refugiou no Templo Shao Lin do Sul, que acredita-se ter sido em Fujian – um ponto de resistência contra a dominação Manchu e à dinastia Qing, principalmente após a destruição do principal Templo Shao Lin, em Henan. Após algum tempo, o templo sulista também foi destruído.
Ao se refugiar no templo, Hei Kung foi aceito como aluno pelo abade Gee Sin, que em pouco tempo percebeu sua habilidade e dedicação ao Kung Fu de Shao Lin. Gee Sin estava impressionado por estas qualidades e logo começou a ensinar-lhe o Hei Hu Quan (– “Punho do Tigre Negro” – o estilo externo de maior força física, trabalho duro e agressividade criado em Shao Lin), no qual era especializado. Logo após 6 anos, Hei Kung se tornou o número 1 dos rebeldes que estavam no templo apenas para aprender a lutar, e não à religião budista. Entretanto, logo após isto, o governo Qing destruiu o templo, porque estava dando abrigo a muitos rebeldes que gostariam de restaurar a última dinastia verdadeiramente chinesa, a dinastia Ming.
Com a queda do Templo Shao Lin do Sul, de acordo com algumas fontes, Hei Kung e Gee Sin uniram-se a grupos de atores de Ópera Chinesa que se transportavam em barcos vermelhos (“Hung Sheun”), para se esconderem, e atravessaram toda a China com eles. Nestes grupos, os rebeldes treinavam o Kung Fu Shao Lin sob o disfarce circense – já que o governo proibira qualquer referência a Shao Lin. Numa destas viagens, Hei Kung conheceu Fong Wing Chun, sobrinha do lendário Fong Sai Yuk (filha dele de acordo com outras fontes) e expert no estilo da Garça Shao Lin. Fong ensinou à sobrinha as técnicas da Garça de Shao Lin num sistema que usa ataques rápidos de bicar e também enfatiza o equilíbrio e técnicas de chutes rápidos. À época, Gee Sin havia sido assassinado, assim como Fong Sai Yuk, e acreditava-se que tinha sido o mesmo homem o assassino (Bak Mei em algumas fontes). Hung Hei Kung aprende o estilo da Garça com Fong Wing Chum, com quem se casa, e vinga-se da morte de seu mestre e do tio (ou pai) de sua esposa.
Hung Hei Gung, então, abriu secretamente uma escola de Kung Fu no Templo do Grande Buda, em Cantão, para treinar revolucionários. De acordo com as lendas, ele teve que adaptar suas técnicas porque os chutes rápidos e altos típicos do Norte era inapropriado para os habitantes do Sul, que eram fisicamente mais baixos que os do Norte – o povo cantonês era mais baixo e mais atarracado e preferiam usar métodos de mão. As lendas dizem que o povo sulista remava mais, assim desenvolvendo mais os braços para técnicas de mãos e que as bases no treinamento eram bem baixas e largas para a prática em barcos e lugares alagados ou escorregadios. Ele chamou sua arte de Hung Ga Kuen, ou Punho da Família Hung, principalmente para esconder suas relações com Shao Lin – quem fosse pego praticando as artes de Shao Lin era executado.[1][2][3] Com a proibição da prática do Kung Fu removida, Hung Hei Gung começou a ensinar abertamente sua arte, e abriu uma escola em na cidade de Fa, província de Kwungtung (Cantão).
Depois de estabilizado e famoso como professor e artista marcial, Hung Hei Gung recebeu como discípulo um irmão marcial seu, Lok Ah Choy, perito na técnica Shao Lin dos Cinco Animais. Os dois juntos realizaram grandes façanhas que foram contadas de geração após geração até nossos dias. Após um tempo alunos e mestres se separaram, e Lok Ah Choy abriu sua própria escola, onde teve muitos discípulos. Os dois melhores estudantes foram Wong Tai e depois o filho deste, Wong Kay Yin. Mais tarde, estes se uniram aos “Dez tigres de Cantão”, um importante grupo de mestres, os melhores lutadores de Cantão, que lutavam para defender os cidadãos da tirania dos Manchus. A fama de Wong Kay Yin só foi ultrapassada pelo seu próprio filho, Wong Fei Hung. A fama de Wong Fei Hung foi relatada em inúmeros filmes e até hoje, ele é um importante herói patriota do povo chinês.
Graças à rotina de seu pai, Wong Fei Hung desde cedo teve que viajar por toda a China. Graças a isso, pôde conhecer inúmeros mestres. Numa dessas viagens, tornou-se discípulo do mestre Lam Fuk Sing, que fora discípulo de Tid Kiu Sam. O mestre Lam Fuk Sing passou a Wong Fei Hung todo o conhecimento que possuía, incluindo a rotina Tid Sin Kuen, criada por Tid Kiu Sam. O mestre Wong teve um importante aluno, Lam Sai Wing, que nasceu em 1860 e morreu em 1943. Em muitas vezes, Lam o substituiu em lutas, o que rendeu-lhe notável fama. Depois da morte de Wong Fei Hung, em 1924, Lam Sai Wing continuou com a divulgação do Hung Ga abrindo sua própria escola.
Lam Sai Wing teve diversos alunos, entre eles os mais famosos são os grande-mestres Lam Jo e Chiu Kao, patriarcas das famílias mais numerosas de Hung Ga hoje em dia.

* Versão simplificada.

Hun Gar

O Hung Ga Kuen, Hung Ga ou Hung Kuen é um sistema de kung fu desenvolvido no século XVII, que está associado ao herói popular chinês Wong Fei Hung, que foi mestre de Hung Ga. Considerado um sistema Nan Quan, este é um dos 5 principais sistemas do sul da China (Hung Ga, Mok Ga, Choy Ga, Lau Ga e Li Ga). Sua tradução é “boxe da família Hung”, e se baseia no boxe do tigre e da garça.
De acordo com a lenda, foi criado em homenagem a Hung Hei Kung, que fora aluno do abade Gee Sin, um monge Chan (Zen) budista no Templo Shaolin do Sul. Gee Sim foi também o mestre de quatro outros estudantes: Choy Gau Lee, Mok Da Si, Lau Sam-Ngan e Li Yao San – que junto de Hung Hei Kung, são os patriarcas das 5 famílias principais de kung fu sulista.
Trata-se de um estilo de luta baseado nos cinco animais básicos Shao Lin: Tigre, Garça, Serpente, Dragão e o Leopardo. Além dos cinco elementos (madeira, ouro, água, fogo e terra).

* Esta é a versão mais popular sobre o Hung Gar, porém, insta dizer que alguns praticantes e mestres se mantém insatisfeitos com a mesma.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

As nove maestrias - O que se deve esperar de um mestre do kung Fu?

    Algumas pessoas acreditam que trata-se da composição de uma lista das nove qualidades ("maestrias") que se deve esperar de um grande mestre de Kung Fu:

    São elas:
1 - ter paciência e perseverança;
2 - ser capaz de ensinar honestidade, bondade e correção através de seu exemplo;
3 - conhecer as obras clássicas (chinesas), tendo uma razoável compreensão destas;
4 - ler e escrever (em chinês) de forma clara e correta, com boa caligrafia;
5 - saber exprimir-se em versos, compondo poesia;
6 - saber tocar algum instrumento musical;
7 - ter conhecimento sobre ervas, massagem e acupuntura;
8 - saber cultivar e preparar seu próprio alimento;
9 - saber defender a si mesmo e aos outros.


    *Não tenho o conhecimento exato para dizer se é mesmo esperado isso de um grande mestre, porém tão logo eu tenha a informação farei a correção na postagem. Everaldo 30/06/2011

O mestre de Armas - Um pouco de sua história.


                                                                                 
    O famoso e respeitado Mestre Huo Yuan Jia(1867-1909) ou Fok Yuen Jia, em cantonês, criou em 1900, na cidade de Xangai, a Associação Atlética Jing Wu que se tornou famosa devido a sua filosofia de ensino, única na época, e a qualidade técnica de seus praticantes.
Tendo sido campeão e considerado o número um em artes marciais na china, Mestre Huo decidiu criar a sua associação com o objetivo de elevar o moral dos chineses, que vinham sofrendo com a invasão de diversas nações estrangeiras, naquele conturbado período histórico da China, e também promover o melhor das artes marciais chinesas em nível internacional. Com essa idéia, mestre Huo enfrentou diversos lutadores de nível internacional, vencendo todos os desafios que lhe foi imposto. Posteriormente ele convidou alguns dos mais famosos e bem conceituados mestres da época que devido a mestre Huo ser muito admirado e considerado como um verdadeiro herói nacional Chinês, concordaram prontamente em ensinar na escola aderindo ao propósito de mestre Huo e contribuindo com suas habilidades para cada vez mais solidificar o nome da escola.
    A seguir seu nomes com seus respectivos estilos:
Grão Mestre Chiu Lin Wo do estilo Tam Tui
Grão Mestre Swan Yu Fong do estilo Lo Han Shao Lin do norte
Grão Mestre Lo Kwong Yuk do estilo Tong Long
Grão Mestre Chen Tzi Jhan do estilo Garra de Águia
Grão Mestre Geng Xia Guang do estilo Xing Yi
Grão Mestre Wu Jian Quan fundador do estilo Wu de Tai Chi Chuan
    Com tal diversidade de estilos e nomes famosos da elite marcial chinesa, a Associação Atlética Jing Wu , cujo significado literal é “Essência das artes marciais”, acabou se tornando não só uma escola de kung fu para o fortalecimento do corpo, como também uma das principais responsáveis pela sua divulgação mundialmente. Portanto, podemos dizer que Jing Wu ainda é um dos ícones da tradição marcial chinesa.
Infelizmente, mestre Huo morreu envenenado poucos meses depois da fundação de Jing wu.
    Dentro de Jing Wu os instrutores mantinham vivo o ideal do fundador, Grão Mestre Huo, que era "praticar uma arte marcial de alta qualidade e divulgá-la para o mundo sem preconceito entre os estilos"
Sua história já foi retratada em diversos filmes, podendo-se citar “Fist of Fury” (A Fúria do Dragão) com Bruce Lee, “Fist Of Legend” (Lutar ou Morrer) e Fearless com Jet Li, que contam justamente a história da morte de Mestre Huo.



quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Flor da Honestidade

Bom dia a todos. Sejam bem vindos a minha humilde página. estarei postando aqui textos, fotos e artigos interessantes que advenham de filosofia, história, lendas ou mesmo da cultura nacional ou marcial chinesa. o Texto a seguir, infelizmente é de um autor que desconheço, porém, achei interessante e resolvi postar para você.                                                                                                                    Everaldo 16/06/2011

A Flor da honestidade

Conta-se que por volta do ano 250 a.c, na China antiga, um príncipe da regiao norte do país, estava as vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar.
 
Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta. No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebraçao especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.
 
Uma velha senhora, serva do palácio ha muitos anos,ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
 
Ao chegar em casa e relatar o fato a jovem, espantou- se ao saber que ela pretendia ir a celebraçao, e indagou incrédula:
 
- Minha filha, o que você fará lá? Estarao presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas nao torne o sofrimento uma loucura.
 
E a filha respondeu:
 
- Nao, querida mae, nao estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.
 
A noite, a jovem chegou ao palácio. La estavam, de fato, todas as mais belas mocas, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intençoes. Entao, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
 
- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
 
A proposta do príncipe nao fugiu as profundas tradiçoes daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc...
 
O tempo passou e a doce jovem, como nao tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensao de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.
 
Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicaçao a moça comunicou a sua mae que, independente das circunstâncias retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada alem de mais alguns momentos na companhia do príncipe.
 
Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tao bela cena.
 
Finalmente chega o momento esperado o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atençao.
 
Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
 
As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reaçoes. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado.
 
Entao, calmamente o príncipe esclareceu:
 
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
 
A honestidade é como uma flor tecida em fios de luz, que ilumina quem a cultiva e espalha claridade ao redor.

"Se para vencer, estiver em jogo a sua honestidade, perca. Você será sempre um vencedor."
*(Fonte: Autor desconhecido)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A parábola do Lápis

As qualidades que te levarão a estar sempre de bem o mundo

O menino olhava a avó escrevendo uma carta.
A certa altura, perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco?
E por acaso, é uma história sobre mim?

A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante que as palavras, é o lápis que estou usando... Gostaria que você fosse como ele quando crescesse.

O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
- Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida! Disse o menino.
- Tudo depende do modo como você olha as coisas! Respondeu a avó.
- Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
Primeira: Você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que te segura e guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade.
Segunda: De vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
Terceira: O lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça.
Quarta: O que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas a grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
E finalmente, a quinta qualidade do lápis:
Ele sempre deixa uma marca.
Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços
e procure ser consciente de cada ação.