sexta-feira, 30 de março de 2012
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
San-Fa Conceito aplicado do Clã na Sociedade Moderna - Família Kung Fu
Por Shifu Hudson Willian
Clã: Um clã constitui-se num grupo de pessoas unidas por parentesco e linhagem e que é definido pela descendência de um ancestral comum. Mesmo se os reais padrões de consangüinidade forem desconhecidos, não obstante os membros do clã reconhecem um membro fundador ou ancestral maior. Como o parentesco baseado em laços pode ser de natureza meramente simbólica, alguns clãs compartilham um ancestral comum "estipulado", o qual é um símbolo da unidade do clã.
Egrégora: provém do grego egrégoroi e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.
Tais conceitos acima descritos trazem a tona os sentimentos que representam nossa família, em chinês conhecida como San-Fa, e que na tradição das Artes Marciais Chinesas tem um profundo significado.
Quando o iniciante ingressa em nosso Mokwon, após alguns meses o mesmo é submetido a uma serie de conhecimentos e princípios que geram a egrégora de nossa família e então é convidado a ingressar à mesma através de uma cerimônia simbólica de admissão e a partir de então, passa a comungar dos valores que norteiam o Kung Fu.
Neste momento, o aspirante passa a de fato integrar a nossa família Kung Fu, onde efetivamente passamos a dividir as alegrias, as tristezas, as conquistas e a estreitar os laços de amizade, companheirismo, carinho, fidelidade, amor, compaixão, fraternidade etc. tornando se uma família no mais amplo sentido da palavra.
Na cultura chinesa, quando um discípulo passa a ser aceito em uma família Kung Fu, e tem neste momento um Shifu (Pai de uma família Kung Fu/Mestre) este o tem como figura principal dentro do clã, devendo amá-lo e respeitá-lo com uma figura paterna, que é um guia nesta nova jornada, devendo este respeito e consideração até o fim de sua vida.
Diante da dificuldade de ensino desta relação a Ocidentais, poucos Mestres aceitam alunos através da mais tradicional cerimônia de admissão, o Pai Si.
Neste momento, através da cerimônia de Pai Si, na cultura chinesa, acredita-se se que ambos os espíritos (discípulo e Mestre) estarão ligados eternamente e tais laços são tão fortes como os consangüíneos, e a responsabilidade de um pelo outro nascem e formam uma aliança eterna.
Importante localizar neste contexto a diferença entre aluno e discípulo. Não é raro em tempos modernos um Mestre ter dezenas de alunos, porem, discípulos, tão somente alguns que demonstraram valores especiais e foram dignos de serem aceitos em Pai Si.
Desta forma, existe uma grande diferença entre ser aluno e discípulo, sendo este segundo, um dos que terão a bênção de seu Mestre para dar prosseguimento ao legado marcial desta família Kung Fu, e muitas vezes com aprofundamento muito intenso no estilo praticado a ponto de se diferenciar de praticantes comuns.
Antigamente a relação de um clã Kung Fu era muito simples e muito intensa, pois os discípulos não raramente moravam junto ao Mestre, em casas muito grandes cujo conceito de construção e aposentos se diverge em muito do ocidente.
Em uma de minhas visitas a China, tive o prazer de conhecer este conceito de casa, onde a mesma tem vários quartos, salas, locais de treinamento, reunião, pátios etc.. Onde os discípulos desempenhavam suas funções cada qual em uma atividade em prol da família Kung Fu, coordenados pelo Shifu (Mestre) vivendo todos em perfeita comunhão.
Desta forma, ser aceito em um clã Kung Fu, muitas vezes representava deixar sua família consangüínea e adentrar nesta nova Família, ganhando até mesmo um novo nome e sobrenome, que seguiam da família de seu Shifu.
Na pratica, o novo integrante passa contar com o apoio dos membros de forma incondicional, solidariedade, companheirismo, fidelidade, carinho, dedicação, honestidade são virtudes cultivadas dentro e fora de nosso Mokwon, e esta irmandade vivenciada em nosso meio, se estende as demais relações, em busca do desenvolvimento social com um todo.
Assim, como no mundo moderno muitas coisas já não são passiveis de realização, mantém ainda os costumes relacionado aos laços que envolve uma família Kung Fu, sem os quais, podemos ter apenas uma Academia de Kung Fu e não uma família Kung Fu.
Atualmente, em nossa Família Kung Fu Applied Wing Chun, nosso líder mundial é o Grão mestre Duncan Leung, o qual é Mestre de Li Hon Ki Shifu, o qual tenho a honra de ser discípulo.
Embora em meio a muitas coisas que devo agradecer a Deus por ter me concedido, nesta ocasião dou especial atenção ao período efetivo de três anos em que pude manter um contato muito estreito com meu Mestre por ocasião das estadias que esteve em minha casa, em nossas longas conversar noturnas e matinais sobre diversos tópicos da vida, contribuindo imensamente com os resultados a que vim adquirir com seus conselhos.
Uma vez que o praticante tenha escolhido seu Shifu e este o aceitado como discípulo, estes dois universos devem gerar um só, para que a experiência de um Mestre possa ser devidamente aproveitada por um discípulo.
Em um clã Kung Fu, deve ser objeto de estudo e vivencia muito mais do que técnicas de combate, mas sim valores que nortearão a vida destes integrantes, como honra justiça, benevolência e tantos mais que somente o dia-a-dia poderá transmitir ao iniciado, haja vista palavras faltarem para mencionar esta experiência.
Desta forma, mesmo em uma sociedade moderna, onde muitos valores de caráter e personalidade são deixados para trás em busca de valores superficiais, ainda em um bom clã Kung Fu é possível encontrar o cultivo destas virtudes, como contribuição para um mundo melhor.
Applied Wing Chun
Confidence - Esteem - Defense
Confidence - Esteem - Defense
*texto retirado do site do Shifu Hudson Willian
Volta ás Aulas de Kung Fu
Agora em dois locais e em horários variados. Leia todo a postagem e escolha o melhor horário para treinar. Venha conhecer, fazer uma aula como nosso convidado e conferir por si só o que é o Kung Fu.
Quer Aprender a se defender? Aprender a Filosofia Chinesa e suas Artes Marciais?
Aulas Particulares e Coletivas
Contato: everaldogarradetigre@gmail.com
Celular: 011-5459-5209 Tim
Clube Desportivo Mundo Mundo Animal
Modalidade: Applied Wing Chun
Horários: Sábados 13:00 e Domingos: 08:00
Localizada na Zona Sul de São Paulo região de Santo Amaro
Bairro Parque Residêncial Cocaia
Rua: Demas Zitto, nº 102 (Sobre Loja)
Modalidade: Applied Wing Chun
Horários: Sábados 13:00 e Domingos: 08:00
Localizada na Zona Sul de São Paulo região de Santo Amaro
Bairro Parque Residêncial Cocaia
Rua: Demas Zitto, nº 102 (Sobre Loja)
Fone: (11) 5528-1288
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Wing Chun - Do Conhecimento Teórico a Aplicação Prática Real
Uma matéria escrita pelo ShiFu Hudson William para seu site: www.hudsonwillian.com.br
Este artigo tem por finalidade tentar colocar o leitor em consonância com a realidade do sistema de treinamento Applied Wing Chun que recebi de meu Shifu e Sikung.
Basicamente podemos dividir em duas etapas de treinamento para, de forma singela, chegar ao clímax do entendimento.
Ao entender o treinamento teórico e sua diferença da Aplicação prática, o leitor poderá com facilidade notar a diferença entre nossa escola e demais vertentes do Wing Chun pelo mundo.
Ao me referir a “nossa escola”, estou me referindo a Applied Wing Chun, sendo que para facilitar a narrativa e torná-la menos cansativa, utilizarei o termo “AWC” Applied Wing Chun”.
Insta salientar que esta explanação é fruto de minha experiência ao longo de mais de 20 anos de artes marciais e do farto convívio com meu Shifu, bem como minhas viagens de treinamento para com o Wing Chun em três países diferentes e pelo Brasil a fora.
Conhecimento Teórico.
A princípio, o leitor deve já ter feito seu prospecto em sua mente da seguinte forma: “Conhecimento teórico é o que tange aos princípios elementares do sistema Wing Chun”, ou seja, ataque e defesa simultâneos, linha central, chutes baixos etc.
Pois bem, para que o caminho que proponho dentro de minha explicação não venha ser desviado por conta da experimentação e conhecimento pretérito de cada leitor, explicarei com detalhes o ponto onde quero chegar.
O conhecimento teórico se refere a totalidade das técnicas ensinadas no inicio de cada nível de aprendizado, quer seja Siu Lin Tao, Chun Kiu ou Biu Jee, sendo estes treinamentos estáticos, pré ordenados, com golpes previamente combinados entre os praticantes. Ex: Treinamento de Pak Sao, Tan Sao, Kan Sao, Socos etc.
Ainda se incluem na parte teórica o treinamento de base, socos e chutes em aparadores partindo de um ponto definido, bem como as formas (taolu) de cada nível, Tan Chi Sao e Seong Chi Sao.
Após o iniciante ter coordenação motora, conhecer os ângulos de cada técnica estática ou ainda com deslocamentos previamente estabelecidos, pode-se dar inicio ao treinamento prático no sentido que eu irei apresentar.
Neste momento você pode estar se perguntando: “Mas este já não é o treinamento prático?”
A resposta para sua pergunta pode ser sim e não, depende do ponto de vista de quem ensina.
A razão de esta resposta ser dúbia é simples: Tudo que é previamente acordado em Wing Chun ou em qualquer outra arte marcial que seja deve ser denominado como Treinamento Teórico.
A Razão assiste a explanação acima, senão vejamos:
O praticante “A” tem a incumbência de desferir golpes retos com os braços, quando o praticante “B” tem por objetivo defender tais movimentos pré-determinados de “A”, o que caracteriza um treinamento teórico, uma vez que, na prática REAL, tais ataques não podem ser previamente acordados.
Neste diapasão, podemos e devemos denominá-lo de treinamento teórico, pois se faz uso de tais “ritos” para desenvolver um conceito e analisar um tipo específico de atuação.
Assim, conforme narrado no exemplo acima, o praticante “A” não poderá inovar a qualquer momento, ou seja, não poderá variar seus socos, agarrar, chutar ou qualquer outra conduta sem que a mesma esteja previamente estabelecida entre as partes, tornando-se assim um treinamento teórico do ponto de vista de luta real.
Neste ponto é que os sistemas de Wing Chun em sua grande maioria se aproximam desta forma, tudo que sai desta esfera torna-se difuso do que a maioria destes praticantes conhecem.
Aplicação Prática.
Esta esfera é a que faz com que haja a diferenciação entre os praticantes de todas as artes Marciais, em especial aos praticantes de Wing Chun.
A liberdade no treinamento de sparring é a realidade que levará o praticante a desenvolver a aplicabilidade do sistema e não há como fugir desta situação quando o objetivo for o de se tornar um lutador.
O âmago do sistema deve ser sempre colocado em primazia, ou seja, a suprema realidade da defesa pessoal.
Nesta fase do treinamento, o praticante após ter adquirido o conhecimento teórico dos ângulos, da energia de cada golpe, do tempo de execução, dos reflexos primários, linhas lateral e central, quadrantes expostos e fechamentos dos mesmos, bem como amplitude de cada técnica, terá o mínimo de condições para ser bem sucedido na parte prática, ou seja, no chamado sparring livre.
Desta feita, é necessário salientar que cada praticante tem um tempo para apresentar a compreensão devida para seu sucesso em luta, deve se ter em mente que o treinamento deve se aproximar ao Maximo do confronto real, pois na prática o desenvolvimento do equilíbrio psicológico e emocional deve caminhar em consonância com a técnica.
Como diz meu Sikung Duncan Leung: “O Wing Chun é tão simples que as pessoas complicam”. Seguindo este conceito, consigo entender porque tantos praticantes tendem a focar em tudo no Wing Chun, menos na parte marcial.
Com o treinamento de sparring livre, deve se utilizar oponentes mais altos, mais baixos, mais fortes, mais fracos, mais rápidos etc., pois desta maneira as técnicas serão lapidadas e o praticante conhecerá as técnicas de seu arsenal que mais lhe trazem confiança e as que devem ser mais praticadas melhorando a fluência.
Comumente no AWC, desenvolvemos o treinamento do chamado “circulo”, onde o praticante é cercado por oponentes que desferem golpes pré-ordenados no intuito de treinar quem esta no centro, porem, esta é a primeira fase do treinamento, logo após, os golpes não serão mais pré ordenados e o praticante de AWC deverá responder de forma fluente aos ataques intentados.
A fase que não pode ser ignorada e que muitos praticantes tendem a se esquivar é a de combate livre, onde com a proteção básica, como capacete e luvas de MMA devem ser realizados de forma freqüente, oportunidade impar de testar seus conhecimentos e lapidar as técnicas e sentimentos buscados na construção de um lutador.
No quesito de combate livre, não se deve impor regras e mais do que isso, deve se buscar oponentes das mais diversas modalidades, pois somente assim, poderá o então aspirante a lutador se deparar com situações adversas a ponto de qualificá-lo em seu treinamento, abandonando o conjunto de teorias e passando a experimentação propriamente dita.
Esta fase eu acredito ser a mais dolorosa para o praticante, pois terá que lidar com as dores e traumatismos provenientes do contato físico do combate, além de ter que controlar seu emocional em busca do objetivo almejado, ou seja, formar-se um lutador.
Quantas pessoas acham que são lutadoras por treinar artes marciais? Pois bem, não basta treinar artes marciais para se tornar um lutador, a questão esta em como treinar...
Conclusão
Este texto é muito singelo sobre o tema, serve apenas como referência para levar o praticante a uma reflexão mais acentuada sobre sua condição no universo das artes marciais em especial ao Wing Chun, e desta forma, lembro-me de uma matéria escrita por meu Shifu Li Hon Ki em uma revista já extinta, mas muito famosa na década de 90, chamada “Revista KIAI”, onde ele falava: “Um bom professor é como um médico, que pode curar seu paciente ou levá-lo a óbito, pois seu treinamento poderá alimentar sua ilusão, ou prepará-lo para enfrentar os desafios advindos”.
Agradeço ao meu Shifu pela paciência nas longas horas madrugada adentro que conversamos sobre nosso sistema e a realidade da aplicação na luta, pois sei que na analogia acima descrita ele foi o melhor médico que já conheci.
* Texto retirado do original publicado no site: www.hudsonwillian.com.br
"Agradeço a meu Shifu, Hudson Willian, por deixar-me divulgar livremente suas idéias, as quais, com as quais e pelas quais me identifico e busco compreensão do Sistema Applied Wing Chun, assim como com de toda minha existência dentro das Artes Marciais Chinesas". Sihing Everaldo Santos
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Inauguração do Yip Man Memorial Museum
Foi inaugurado o
Yip Man Memorial Musiam o qual já tem a foto do SitaiKung Duncan Leung e que tambem terá do Sikung Li Hon Ki. Pelo site dá para ver muitas coisas mais....Acessem
*fonte:
postado inicialmente pelo Shifu Florentino em sua página da Applied.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Currículo de Medalhas:
Alguns dos brindes que adiquiri durante os anos em que competi. Espero voltar aos campeonatos logo
18/05/2003 – Camp. Paulista – U. G. A. B.– 3º Lugar Técnicas de Mãos do Sul;
09/08/2003 – Camp. Paulista – F. P. K. T.– 2º Lugar em Combate;
16/05/2004 – Camp. Paulista – U. G. A. B.– Campeão Técnicas de Mãos do Sul;
01/08/2004 – Camp. Paulista – U. G. A. B.– Campeão Técnicas de Mãos do Sul;
21/11/2004 – Camp. Brasileiro – U. G. A. B.– Campeão em Combate;
21/08/2005 – Camp. Paulista – U. G. A. B.– 3º Lugar Técnicas de Mãos do Sul;
02/10/2005 – Camp. Paulista – F. P. K. T.– 3º Lugar Técnicas de Mãos do Sul;
02/10/2005 – Camp. Paulista – F. P. K. T.– Campeão em Combate.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Convite: Campeonato Brasileiro e Inter Estados
Campeonato Brasileiro e Inter Estados
11 de Dezembro2011
Local: Ginásio do Esportes Clube Banespa - Av. Santo Amaro, 5355 - Santo Amaro - São Paulo
Horário: Abertura Oficial as 09:00Hrs
Realização:
Confederação Brasileira de Artes Marciais Chinesas - C.B.A.M.C.
Federação Paulista de Kuoshu Kung Fu Tradicional - F.P.K.T
Mais informações: 11- 5671-6054 ou 11-7240-5222
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Seminário com correção e novas técnicas de Wing Chun
Presenças do Shifu Hudson Willian e do Sikung Li Hon Ki
Esta é uma pequena porção da Familia Applied Wing Chun de Bauru, a qual me orgulho em fazer parte....
Na sexta feira, dia 21 de outubro, realizou-se em Bauru – SP o seminário anual de Wing Chun com o nosso Sikung o Grandioso Mestre Li Hon Ki, que nos honrou com sua presença e sabedoria durante todo o seminário, participando ativamente de todo o evento. Após o seminário de forma descontraída, nosso Sikung juntamente com nosso Shifu, o Mestre Hudson Willian, nos deu dois privilégios únicos: tirar fotos livremente tanto da família como individualmente com os dois; e um jantar em um restaurante de comida chinesa. Todos reunidos à mesa com nossos Mestres. Uma sensação única a cada pergunta respondida pelo Mestre Hudson ou pelo Grão Mestre Li Hon Ki. Falamos de filosofia, família, amizades, Wing Chun Kune, China e sobre o curso de “An-MoTui Na” que o Grandioso Mestre “Kay” ministraria no dia seguinte.
As coisas são bem diferentes quando treinamos com um Mestre. Veja bem, caro leitor, não me refiro desta forma para diminuir ou comparar as pessoas ou os títulos, mas apenas para mostrar o quão diferente tornou-se minha vida após o encontro com o Shifu Hudson Willian (Mestre da 9º Geração de Wing Chun Kune). Toda minha visão de amizade, família, filosofia e principalmente minha imagem mental sobre Kung Fu mudaram totalmente. Basta ler meu blog desde o início observando as datas e verá que após o início das aulas de Wing Chun minha atitude marcial assim como minha postura mental mudou bastante e vem mudando cada vez mais.
Antes, apesar de treinar a muito tempo, sentia que faltava algo. Perguntas que fazia aos professores muitas vezes ficavam vagas em suas respostas ou mesmo algumas técnicas acabavam por serem compreendidas de forma errada não pelo fato de os mesmos não conhecerem estas, mas por um fator único que meu Sikung sempre cita durante suas palestras, algo chamado “sentimento”.
Sikung Li Hon Ki sempre cita que cada pessoa tem uma forma diferente de pensar, um sentimento diferente quando se refere ao próprio Kung Fu. Ele mesmo se mostra humilde ao dizer com as próprias palavras: “Eu ensino de um jeito, o aluno aprende, mas expressa de outro jeito, com outro sentimento, dentro da linhagem, porém diferente, inovador ou não. Isso pode, porém não pode fugir a realidade do Sistema, ao código da família.”
Essa frase diz claramente que cada um tem um coração, um espírito diferente e que contanto que não fuja a linhagem o Kung Fu que cada um compreende provavelmente será verdadeiro. Isso me remete as pequenas dúvidas filosóficas que eu tinha quanto ao Hung Gar e outros estilos de Kung Fu:
“Por que eu não conseguia entender toda a dimensão do Hung Gar nem enxergar o potencial nos dias atuais que o Sistema mostrava em seus dias de Glória (por assim dizer quando trato do passado de 100, 200, 300 anos atrás)?”
“Por que meu Shifu Carlos me explicava, mas eu não conseguia entender plenamente os ensinamentos gerando uma separação amistosa, porém desnecessária que me renderam cinco (05) anos longe do caminho verdadeiro do Kung Fu?”
Simples: Sentimento! Cada um tem um sentimento quando aprende. Cada um tem seu próprio universo interior chamado discernimento, compreensão. Após alguns meses treinando também sob tutela do meu mestre, que prefere ser chamado apenas de Shifu comecei a expressar melhor esse sentimento marcial. Sentimento que remete a novas visões relacionadas a conceitos de “retidão, compreensão, expressão de sentimentos, família, amizade”. Conceito que me mostra parte do imenso universo filosófico e espiritual abrangido pela filosofia da vida Kung Fu. O real conceito de San-Fa.
Convém plenamente dizer que o Kung Fu não te obriga a mudar de religião, de Deus, de filosofia, ou seja, lá qual for o caminho que você escolheu para sua vida. O Kung Fu apenas serve como uma antena que amplifica seus sentidos na direção do caminho correto, ajudando a melhorar o que você já tem de bom e a disciplinar as áreas que te causam algum dano, seja na sociedade, família ou mesmo dentro de sua religião. Espero plenamente dentro de minha crença na vida Kung Fu que tenha sido possível mostrar um pouco do que tenho sentido e descoberto nesse novo nicho filosófico que descobri dentro de minha arte marcial.
Deixo para vocês dois pensamentos. Um eu captei de meu Shifu: “Quando o discípulo estiver pronto, o Mestre aparecerá. Então não se apresse em ser o maior, apenas esforce-se para alcançar realmente o seu melhor.” O Segundo eu ouvi da boca do nosso Sikung Li Hon Ki: “Ninguém é melhor do que ninguém. Você precisa do seu parceiro de treino assim como ele precisa de você, assim como você precisa do seu irmão, esposa, pai e mãe até do seu Deus para evoluir cada vez mais.” Logo não queira ser melhor que os outros, pois no fim os outros acabarão sendo melhores que você.
Quem é Quem...
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Entrevista com o Shifu Hudson Willian para o Site Kali-Rio
1- Olá mestre Hudson, obrigado por aceitar o nosso convite para uma entrevista. Você poderia começar falando sobre você e seu começo nas artes marciais?
Iniciei minha pratica nas artes marciais no Judô, mas considero mesmo o ano de 1989 quando iniciei no Kung Fu o qual sigo até hoje e que é a base de todo meu conhecimento e de minha busca. Percorri alguns caminhos na seara das artes marciais no intuito de saciar minhas curiosidades na busca do conhecimento da luta e da filosofia oriental. Obtive um pouco de conhecimento sobre karate, taekwondo e alguns estilos de kung fu, porém, minha maior busca sempre foi no sistema Wing Chun.
2- Hoje você é representante do mestre Li Hon Ki no Brasil. Como foi que vocês se conheceram e como foi o início do seu treinamento?
Na verdade sempre acompanhei o trabalho de meu Shifu Li Hon Ki pelas revistas, uma vez que mesmo tendo nascido em São Paulo, com apenas 4 anos fui morar no interior do Estado, na cidade de Bauru. Desta forma, com a idade de 16 anos tive a primeira oportunidade de iniciar meus treinamentos sobre os auspícios do Mestre Li hon Ki, em sua academia no bairro da Liberdade em São Paulo.
Com o tempo, na relação Mestre discípulo, invariavelmente somos levados a seguir os passos daqueles que nos guiam, desta forma, tomei conhecimento que dentre os estilos treinados pelo meu Shifu, um deles era o Arnis de Mano.
Esta relação entre Wing Chun e Arnis se iniciou com o relacionamento entre Don Inosanto e Bruce Lee, trazendo uma maior popularidade ao estilo filipino que comunga em muito com os princípios de Wing Chun, razão pela qual, até hoje os praticantes acabam se aproximando de uma arte através da outra.
Com o tempo, na relação Mestre discípulo, invariavelmente somos levados a seguir os passos daqueles que nos guiam, desta forma, tomei conhecimento que dentre os estilos treinados pelo meu Shifu, um deles era o Arnis de Mano.
Esta relação entre Wing Chun e Arnis se iniciou com o relacionamento entre Don Inosanto e Bruce Lee, trazendo uma maior popularidade ao estilo filipino que comunga em muito com os princípios de Wing Chun, razão pela qual, até hoje os praticantes acabam se aproximando de uma arte através da outra.
3- Como você enxerga a relação entre Wing Chun e Sanshou?
Na verdade enxergo ambos com objetivos diferentes, não os comparando, mas sim como eles se encaixam em minha busca pessoal. Desta forma, busco no sanshou (sanda) as características inerentes ao esporte de luta e suas limitações, a parte esportiva da "arte marcial" já que o Wing Chun não me proporciona isto. Quando me refiro à parte esportiva estou me referindo principalmente ao quesito luta, onde encontramos uma série de regras e ordenamentos que inexistem no Wing Chun, o que faz com que o sistema Wing Chun seja muito direto visando o confronto real - onde se aplicarmos corretamente as técnicas fica difícil lutar sem que haja o risco de graves lesões contra seu oponente. Assim uso ambos os estilos para saciar minha busca e realização no âmbito marcial.
4- O nosso blog é sobre FMA, assim, você poderia falar um pouco sobre a relação do Arnis com o mestre Li Hon Ki?
Como anteriormente citado, despertei o interesse pelo Arnis por inspiração de meu Shifu. Acreditando que ele sempre buscou sistemas eficazes e partindo da premissa que "conhecimento não ocupa espaço”, comecei a perguntar sobre o sistema e em pouco tempo de conversa já estava muito ansioso para sentir na prática toda sua aplicabilidade.
Incentivei alguns alunos de meu Kwoon a conhecerem o sistema após algumas aulas particulares com o Mestre Li Hon Ki e assim, montamos um grupo de treinamento intensivo e regular, passando a trazer meu Shifu a minha cidade mês a mês no intuito de aprender esta arte marcial singular.
Não demorou a que procura aumentasse cada vez maios pelo sistema e rapidamente a paixão contaminou a todos.
Desta forma, quando viajei a treinamento com o Mestre Li Hon Ki para a China, manifestei meu interesse em passar pelas Filipinas, na busca de conhecer mais sobre Arnis e as linhagens existentes no berço da arte. Tendo a aprovação dele, estamos planejando uma viagem que englobará em seu roteiro além da China, também as Filipinas.
Incentivei alguns alunos de meu Kwoon a conhecerem o sistema após algumas aulas particulares com o Mestre Li Hon Ki e assim, montamos um grupo de treinamento intensivo e regular, passando a trazer meu Shifu a minha cidade mês a mês no intuito de aprender esta arte marcial singular.
Não demorou a que procura aumentasse cada vez maios pelo sistema e rapidamente a paixão contaminou a todos.
Desta forma, quando viajei a treinamento com o Mestre Li Hon Ki para a China, manifestei meu interesse em passar pelas Filipinas, na busca de conhecer mais sobre Arnis e as linhagens existentes no berço da arte. Tendo a aprovação dele, estamos planejando uma viagem que englobará em seu roteiro além da China, também as Filipinas.
5- Como que foi aprender Wing Chun, Sanshou e Arnis? Qual a relação que você enxerga entre essas artes?
Como lhe falei, cada arte tem sua magia e dentro do meu ponto de vista, cada uma tem um enfoque especial. Posso definir esta trilogia marcial em minha vida da seguinte maneira: Wing Chun - Sistema que me leva ao cume da defesa pessoal real de mãos livres, onde me sinto confortável e confiante no resultado rápido e satisfatório dos treinamentos. Sanshou - É o aspecto esportivo da minha vida marcial, o ponto que converge a pratica voltada ao hobby das artes marciais, ou seja, é um meio onde posso liberar as técnicas sem colocar em alto risco meu oponente, pelo simples fato de respeitar as regras existentes, as quais foram criadas para preservar a integridade física dos oponentes. Arnis - é o ponto crucial da defesa pessoal realista com armas, pois seu desenvolvimento marcial no âmbito da defesa pessoal é espetacular, e creio que contra um oponente, mesmo que este tenha conhecimento em artes marciais e estando desarmado, defrontando se com um lutador de Arnis terá poucas chances de se sair bem, para não dizer nenhuma. Desta forma entendo que cada sistema que treino me respalda e me satisfaça em um aspecto de minha busca marcial.
6- Qual a sua opinião sobe o cenário hoje do FMA (Arnis, Kali, Escrima), no Brasil?
Acredito que pela falta de divulgação, o FMA se encontre muito atrasado em relação a outras artes marciais. A maioria da população nunca ouviu falar e os clãs de FMA ainda são muito reservados.
Acredito que este quadro só mudaria com atitudes globalizadas em união para a propagação e divulgação dos sistemas, sem buscar exaltar o ego de ninguém, mas pelo puro desejo de trazer ao grande público amante das artes marciais esta pérola Filipina que já se encontra há anos em nosso meio.
Acredito que este quadro só mudaria com atitudes globalizadas em união para a propagação e divulgação dos sistemas, sem buscar exaltar o ego de ninguém, mas pelo puro desejo de trazer ao grande público amante das artes marciais esta pérola Filipina que já se encontra há anos em nosso meio.
7- Muitas pessoas ingressam em uma escola de artes marciais pensando em defesa pessoal. Qual sua opinião sobre?
Eu ainda acho que é uma boa busca. Levando em consideração que encaro o termo "defesa pessoal" de forma bastante amplo, abrangendo até mesmo o âmbito psicológico da pessoa. Assim as artes marciais ainda tem um papel importante na lapidação dos guerreiros modernos, na busca de alicerçar a construção de vencedores, aumentando a auto-estima, criando auto-suficiência e fortalecimento de caráter e espírito.
Acredito que se a prática fosse mais popular como era na década de 80, 90, poderíamos estar com um importante mecanismo de batalha contra as drogas, criminalidade e outros problemas que assolam nossa sociedade.
Acredito que se a prática fosse mais popular como era na década de 80, 90, poderíamos estar com um importante mecanismo de batalha contra as drogas, criminalidade e outros problemas que assolam nossa sociedade.
8- Muito obrigado pelas suas respostas! Gostaria de deixar alguma mensagem para os nossos leitores?
Eu agradeço a oportunidade de participar deste maravilhoso trabalho sobre a FMA e deixo o convite para que praticantes de artes marciais, sejam elas quais forem, bem como não praticantes a experimentarem para ver o que as artes marciais filipinas têm a oferecer. Acredito que eles descobrirão um universo maravilhoso e totalmente novo dos sistemas marciais convencionais. Convido também os leitores a conhecerem meu site onde trago assuntos relacionados a artes marciais e filosofia oriental em geral: www.hudsonwillian.com.br
Saúde e Paz a todos.
Saúde e Paz a todos.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Você praticante de Artes Marciais – Será que você aplica seu treinamento?
Olá, amigo leitor.
Vez por outra me pego em devaneios pensando sobre minha vida marcial até hoje. Quando isso me acontece entro na rede, ligo para meu Professor ou para meu Shifu (neste caso falo do mestre diretamente) e faço perguntas pertinentes ou mesmo digo o que tenho sentido para após suas opiniões sobre o assunto, poder ter uma resposta minha da situação.
Em um destes momentos conversei com meu Shifu e ele me indicou o texto abaixo para ler, entender e depois formar melhores opiniões sobre minha vida marcial e quem sabe até mesmo minha vida pessoal.
Confesso que o texto no início me assustou pelo título, mas que ao término de sua leitura, consegui dentro do meu ser entender melhor meus sentimentos e me firmar mais ainda nos conceitos que aprendi com meu Professor e meu Mestre.
Abra sua mente e leia sem medo de ao fim do texto postar sua opinião, tecer seu comentário...
Praticante de Artes Marciais – Será que você aplica seu treinamento?(Por Mestre Hudson Willian)
Inicialmente cumpra salientar que este artigo não deve ser encarado de forma ofensiva a nenhum praticante, seja qual for sua modalidade marcial. Antes deve servir como motivo de reflexão para posterior conclusão.
Seguindo o padrão chinês de autoconhecimento devemos partir do seguinte principio:
1 – Ouvir o ensinamento sem questionamento;
2- Aplicar o ensinamento;
3- Concluir mediante os resultados obtidos, livre de conceitos antecipados (pré-conceitos);
4- Usar o ensinamento para sua vida ou descartá-lo.
O modelo acima exposto pode ser definido quando você recebe o seguinte convite:
“Antes de experimentar o meu chá, deverá esvaziar sua xícara, e deitar sobre ela o chá servido, desta forma poderá saborear este novo chá e com isso, concluir sobre o novo sabor degustado”.
Vamos direto ao ponto em que eu quero chegar...
Para que o leitor possa entender como é a filosofia chinesa de aprendizado, precisa entender que deve se libertar completamente de sua opinião e conceitos antecipado ficando livre, limpo, como uma xícara que está a receber um novo chá. E assim, o leitor irá saboreá-lo livre de sabores anteriormente conhecidos, desta forma, ao termino da experimentação, poderá concluir se esta experiência é ou não satisfatória podendo, a partir deste momento, formar sua convicção. Desta forma, antecipadamente, mesmo que o titulo da matéria possa inicialmente parecer meio ofensivo, abaixe sua guarda, leia o que tenho para você, experimente e após conclua, seguindo o método chinês de desenvolvimento humano.
Começarei a exemplificar, pois assim conseguirei explanar sobre o assunto o qual pretendo levá-los a meditação. Um praticante de Jiu-Jítsu é precoce em seu treinamento, ou seja, ao dar início em sua sessão de treino, levando em consideração uma aula breve de apenas 1 hora de treino, inicia com um aquecimento geral, especifico de articulações, alguns exercícios de alongamento e fortalecimento, logo após, inicia o treinamento técnico. Importante frisar que este treinamento técnico é exatamente o que ele fará no momento da luta, ou seja, desde o inicio, após o aquecimento, fortalecimento geral e alongamentos de praxe, segue se a parte efetiva. Digamos que este treinamento seja baseado em um período de 60 minutos. O máximo que será utilizado para este conjunto de coisas que precederão a parte técnica, não passará de 1/4 desta hora, ficando em media 3/4 de seu tempo voltado exclusivamente para o mais importante, ou seja, as técnicas voltadas para a luta.
Mais uma vez, sou forçado a fazer com que o leitor examine outra modalidade de luta, o treinamento de boxe inglês. Neste, após os aquecimentos e alongamentos comuns as praticas desportivas, salvo treinamentos mais específicos, quer sejam na busca de condicionamento ou ainda resistência física, em seguida, o praticante veste suas luvas e vai para o saco de pancadas, treina com sparings, luvas de foco, aparadores e então vai para a luta efetivamente, quer seja fazendo uma sombra ou combate.
Seguindo este mesmo diapasão, cito mais um exemplo como é o caso do Muay Thai, uma arte marcial que não dispõe de “formas” (também conhecidas com Kata, taolu, kati, punse, etc.), desta forma o praticante vai direto ao ponto, sem rodeios, em busca do objetivo almejado, ou seja: o combate. Eu poderia ficar por horas citando exemplos, tais como o Kickbox, o Judô etc. etc. e etc.
Saindo da seara da arte marcial, podemos ir ao futebol, ao basquete, ao tênis, a natação enfim, a muitos outros métodos ou ainda estilos de esporte. O que quero frisar, é que em todos os exemplos citados, invariavelmente vai-se direto ao ponto. Porém observo, em especial nas artes marciais chinesas, que a realidade não é bem assim... Veja bem, não estou generalizando, mas confesso que conheci um número muito pouco expressivo que contraria o que vou explanar agora, uma porcentagem inferior a 1%.
Vamos levar em consideração uma mesma aula de 60 minutos como usei de exemplo acima, porem desta vez, no âmbito do Kung Fu. O praticante inicia o treinamento como as demais, fazendo alongamentos, aquecimentos, técnicas de força, explosão, condicionamento etc. E assim, vamos reservar ¼ deste tempo para estas atividades iniciais. Na seqüência, o praticante inicia um treinamento de “formas” cujo termo correto em chinês é Taolu. Porém, somente no Brasil, durante anos foi utilizada a expressão Kati que na verdade era apenas uma “cópia” com pequena alteração do termo KATA, do Karatê. Dependendo de seu nível de conhecimento, este praticante pode conhecer mais de dez formas diferentes só de mãos livres! Após as Taolus de mãos, o mesmo praticante iniciará um treinamento voltado para armas, iniciando desta forma, mais uma serie de “formas” de armas que poderão ser varias, também dependendo de seu nível de conhecimento associado ao seu estilo. Ainda nesta esfera, podemos enquadrar os “Tuichas” (luta combinada) que poderão ter uma enorme variação e que são comuns na maioria dos estilos chineses. Após todo este ritual (que quando bem aproveitado este tempo já se passaram ¾ da aula), somente após todas estas etapas, é que se iniciam os treinamentos efetivos para luta. Importante salientar que treinamento para luta é para luta, as formas não servem para lutar propriamente dito, mas sim, para preservar a essência das técnicas do estilo e ensinar movimentos “QUE DEVERÃO SER UTILIZADOS PARA LUTAR” e que ainda assim não Taolu não é luta! As Taolus podem até serem considerados atos preparatórios para a luta, mas não são a luta propriamente dita.
O melhor método para treinar para natação é nadar! O melhor método para se treinar para futebol é jogar! Lutar não é diferente! Desta forma, quando então teremos um praticante de Kung Fu nestes moldes preparados para um efetivo combate? Não é a toa que entre os lutadores profissionais, o Kung Fu não tem prestigio algum. Isto porque os mesmos lutadores não vêem aplicabilidade nos treinamentos e invariavelmente não se tem lutadores expressivos nesta modalidade. Quantos lutadores expressivos nós temos hoje em dia de Muay Thai? Jiu-Jítsu? Boxe? Vários!!! E do Kung Fu?
Pois bem, será que esta já não seria hora de repensarmos sobre os métodos de treinamento?
Alguém conhece um lutador de Kung Fu que com sua poderosa Garra de Tigre nocauteou um lutador de Muay Thai? E com suas velozes pinças de Louva-a deus, feriu mortalmente um praticante de Jiu-Jítsu? Ou ainda com sua poderosa palma de Budha deixou em coma um boxeador por dois dias? Por gentileza, me apresentem, pois eu não conheço... Necessário salientar que não é a arte marcial que não funciona, mas sim seus métodos de treino que foram perdidos no tempo, em algum momento, por algum motivo e os atuais métodos hoje não funcionam mais.
O que quero que seja motivo de reflexão é que um lutador de Kung Fu hoje em dia quando se apresenta para luta, seja ele de que estilo for, irá aplicar os seguintes golpes: soco reto, soco direto, cruzado, gancho, chute reto, chute circular, chute coxa etc., mas cadê a feroz Garra da Águia? O Punho da Pantera? O eficaz Bico da Garça? De que serviu o treinamento intensivo de formas, já que agora não conseguem aplicar? Alguma coisa esta errada...
Mas não vai muito longe. Faço neste momento um apelo em especial aos praticantes de Wing Chun, onde muitos se vangloriam por achar que fazem um estilo especial, poderoso, destruidor, que está acima do bem e do mal... Pois bem: E vocês, conseguem aplicar o que treinam? Faça um convite a um boxeador para uma luta, veja se seu “Pak Sao” defende um poderoso direto dele, se seu “Tan Sao” segura um poderoso cruzado, se o seu soco o nocauteia... Pois é... Este é um desafio que se você fizer poderá se chocar... Fácil é o “Tan Sao” funcionar na aula, junto com seu professor, defendendo um golpe programado, seu “Pak Sao” estar pronto para tirar o golpe combinado, porem, e na real? Será que consegue aplicar? È de se pensar... Mas ainda melhor que pensar é testar, aplique! Faça o teste! Conheça-te!
Estou aqui para mexer com o âmago de seu ser, te levar a uma reflexão profunda, fazer você rever seus conceitos. Lembre-se do que falei no inicio da matéria. Não me condene. Não me ataque. Antes, jogue seu chá e experimente o que ofereço. Ao longo de minha jornada sempre vi grandes expoentes do cenário marcial do Kung Fu a nível nacional e até mesmo internacional quando em momentos de luta, cerrar seus punhos e aplicar Socos de Boxe Inglês, chutar como um Boxer Thay ou ainda um Kickoxer. Cadê o poderoso salto do dragão, a famosa técnica Tigre desce a montanha, o tão aclamado punho do Sol? REFLEXÃO! E AÇÃO! Vejo Mestres de Wing Chun que não lutam Wing Chun, Vejo mestres do estilo da Serpente, da Garça, do Tigre que não usam as técnicas de seu estilo, então pergunto: Para que dedicar-se tanto aos fundamentos na pratica das “formas” se na hora da luta vira um Kickboxer? Sejamos sensatos então, vamos treinar soco e chute, nada mais.
Talvez por isso o Sanda esteja tão em alta, pois vai direto ao ponto, pula os métodos antigos que hoje em dia fazem parte de um folclore marcial. Talvez por isso, hoje em dia a Confederação Brasileira de Kung Fu e suas filiadas estaduais não tenham mais as competições de Kung Fu tradicional modalidade de Combate, e tão pura e simplesmente o Sanda, ou seja, o Kickboxing Chinês. Nada contra ao Sanda, pelo contrario, vamos ser precoces na luta como o Jiu-Jítsu, o Muay Thai e etc. Neste ponto o Sanda esta recuperando a moral do Kung Fu...
Porem, dentro do Kung Fu tradicional, posso lhe assegurar que nós da Applied Wing Chun aplicamos nossas técnicas e a fazemos funcionar. Durante meu treinamento na China contra os lutadores profissionais de Muay Thai eu não tinha opção, ou seja, ou meu Wing Chun funcionaria, ou minha cabeça ia ser arrancada de meu corpo. Não havia meios de usar as técnicas iguais a deles, pois eles eram superiores. Desta feita, se tudo o que sempre treinei dentro da Applied Wing Chun não funcionasse, eu estaria em sérios apuros. Escolhi e fazer o teste e estou aqui para contar a historia e como estamos em tempos modernos, não só conto a historia, como mostro meus vídeos. E você? Já testou seu treinamento e conhecimento para nos contar e mostrar os resultados? Não precisa me responder, pois esta resposta só interessa a você e a ninguém mais. Um dos ditados do Kung Fu que muito me impressiona fala sobre isso:
“Crie um filhote de gato entre Tigres e este será um Tigre. Crie um filhote de Tigre entre Gatos e este será um Gato.”
Vai continuar a se esconder de si próprio? Experimente meu chá, mas antes esvazie sua xícara.
Quem é quem?
(por: Shifu Hudson Willian – Mestre da 9º Geração de Wing Chun – Applied Wing Chun Brasil)
Assinar:
Postagens (Atom)






